quinta-feira, 24 de março de 2011

The Wraith – A Aparição (The Wraith – 1986)


Esse filme é a cara dos anos 80! Lembro que o assisti várias vezes no Cinema em Casa quando era criança nos anos noventa e ficava muito impressionado com a violência contida nele. Se você já viu o filme deve estar me chamando agora de bichona esclerosada por achar isso violento, mas, diabos! Eu era uma criança noventista, cacete! Até o Power Ranger azul era violento!

Claro que ao assistir ao filme depois de (mais) velho, vejo que ele é tão nocivo quanto Castelo Ra-Tim-Bum, e tão bem atuado quanto um capítulo mal inspirado de Malhação. Exageros a parte, nunca deixei de gostar do filme. Talvez porque eu tenha uma queda enorme por ficção científica (ou seja lá o que esse filme for) trash. Ou qualquer coisa que seja trash.

Então dissequemos essa pérola antes de eu dizer mais uma coisa ou duas sobre ele.

A obra-prima começa com umas estranhas luzes vindas do céu vagueando por algumas estradas desérticas do Arizona.

ZUM, ZUM, ZUUUUUUUUMM!

Até se juntarem e tomarem forma, se transformando...


Em um carro chocante e seu misterioso motorista em preto que, mesmo sem ter ninguém ali para ver, está fazendo mó pose! ÓÓÓÓÓ!!!


Perto Dalí (ou não), um feliz e jovem casal que passeava de carro é abordado por um cara sinistro chamado Packard e sua gangue, que querem forçar o macho a disputar um racha apostando seu carro.


 Ah! E sua namorada também.

Após bastante pensar, o rapaz percebe que não quer se desapegar de seu poçante e aceita o desafio. Afinal, ele, de quebra, ainda pode recuperar a namorada.


Pena que o desafiante joga sujo e ganha a corrida. Pobre rapaz que perdeu seu carro. Pelo menos ganhou sua garota de volta como consolo.


No ensolarado dia seguinte, uma bela garota (Sherilyn Fenn! UIII!) é abordada por um estranho motociclista...


Que é a cara do Charlie Sheen, só que com uma moita bisonha acima da testa e descamisado demais pro meu gosto. Ambos se apresentam. 
Ok, o nome dela é Keri e o dele é Jake, mas como Sheen tem mania de usar o próprio prenome na maioria dos seriados e filmes que faz, o chamarei de Charlie mesmo. Nada de Jake! Jake é seu sobrinho.

Keri acha Charlie um pão e lhe pergunta se é novo na cidade, o que é uma pergunta bastante imbecil, pois esta é uma cidade pequena e um cara que você nunca viu está te pedindo informação. Mas Keri é bonita, não precisa fazer perguntas inteligentes.

Charlie pergunta-lhe onde fica certo lugar, e Keri diz que está indo pra lá e pode guiá-lo subindo em sua garupa. Sei, sei.

Packard chega e acaba com a festa dos dois. Aparentemente é obcecado por Keri. Não o culpo.


O safardanas então a leva para um banho da cidade, onde a garota aparentemente tomará sol de roupa. Ahh, Sherilyn! Bota um biquininho, vai!


Uhuuu!!! Tank you!!

Por uma acreditável coincidência, Charlie também está no local. Ele só quer ficar observando os atributos de Sherilyn, mas um sujeito meio impertinente chega ao seu lado e puxa conversa.
.
.
.

E lhe pergunta se é novo na cidade.


Ok. Ouvir a gracinha da Sherilyn Fenn fazendo uma pergunta idiota é altamente perdoável. Talvez até imperceptível. Mas a mesma pergunta vinda de um loser chato de galocha é outra estória. Charlie, contenha-se para não esmurrá-lo!

Billy, o chato, começa a contar sua estória de vida a Charlie. Diz onde trabalha, onde estuda, essas coisas deveras interessantes. Também conta que Shelilyn namorava com seu irmão que foi assassinado de forma misteriosa, mas agora é perseguida pelo vilão do filme. E falando neste...


Packard percebe que Charlie está de olho em ‘sua garota’, acha-o familiar e começa a ter um estranho flashback...


Onde ele e sua gangue invadem a privacidade de um casal que está no bem-bom e começam a torturar o cara. Cara esse que não sei se é digno de nossa pena, pois olhando a imagem acima, vemos que usa uma cueca bege! Bege e transparente!! BEGE, TRANSPARENTE E FIO DENTAL!!! Mas tudo bem, vai. Estamos nos anos 80. Julgar o bom gosto desse pessoal é forçação de barra.


Essa cena do sujeito apanhando era a que eu achava violenta. A garota que estava sendo comida reconhecemos como sendo Sherilyn, mas seu namorado agora sendo massacrado é um estranho. Será?

Mudando de cenário, vamos para o Big Kay’s Burger (o Gigabyte da cidade), onde Sherilyn e Billy trabalham.


E onde só existem garçonetes gostosas (incluindo Sherilyn) que usam roupas provocantes e te atendem de patins, sorrindo e dançando rock n’ roll.


 O universo onde se passa esse filme é utópico, eu te juro.

Nessa cena Sherilyn chega a Billy, que prepara os hambúrgueres, e diz: - “Um caubói quer dois hambúrgueres bem mal-passados.” No que Billy responde: - “Vão ficar tão mal-passados que um veterinário iria adorar!”

Ual! Que diálogos afiados e bem sacados!

No fim do expediente, Sherilyn pega carona com seu amigo Billy. Ou pelo menos tenta, pois Packard e sua trupe logo chegam pra atazanar novamente a moça.


Sim: Esse cara vai ficar pentelhando todo mundo o filme inteiro, então agüentem. Pobre Sherilyn... E noto que há um bom tempo a tenho chamado também pelo nome da atriz e não pelo da personagem. Que seja.

Packard manda Sherilyn sair do carro enquanto ‘propõe’ a Billy mais um racha ‘justo’ e de ‘iguais chances’ em troca de seu carro, quando de repente...


Surge o misterioso turbo preto ultramoderno!!! Caramba!! Quem será o motorista desse carro?? Mal podemos imaginar, não é?

Um dos capangas de Packard o segue e logo os dois estão num racha involuntário. O carro preto o ultrapassa e some de vista, até que o capanga dá uma acelerada e o alcança... mas de uma maneira inesperada.


Putz! O carro misterioso está atravessado e parado na sua frente!! Não vai dar tempo de frear e os dois vão pro espaço!!!


Eu não disse?

Mas espera aí...


Alakazan!!! E o poçante misterioso se recompõe como num passe de mágica!

Será que o carinha do outro carro sobreviveu também?


Huumm... Acho que não. O motorista do além ainda por cima arrancou os olhos do cadáver, de forma que seu rosto ficasse parecido com a máscara do Michael Myers. Embora pra mim pareça mais que passaram tinta preta em suas pálpebras, mas fiquemos com a primeira versão apresentada. 

Aliás, apesar dos olhos arrancados o corpo ficou praticamente intacto! Brrrrr!!


O típico xerife-durão-de-cidade-americana-do-interior não fica muito feliz com isso e dá uma dura em Packard e seus comparsas, dizendo para não saírem da cidade e que vão se dar mal se tiverem alguma coisa a ver com o incidente. Que meda do meninão!

No oficina onde Packard e seus seguidores mantém seus carros ganhos ‘honestamente’, o misterioso vingador aparece de repente. Enquanto alguns se escondem feito bichas de bosta, outros têm flashbacks parecidos com o que Packard teve anteriormente.


O intruso começa a mandar tudo pelos ares.


Packard não fica muito feliz em ver sua oficina e seus carros sendo destruídos, mas finge não estar com medo. Olha ele lá atrás fazendo pose de durão. Mas aposto que a primeira coisa que vai fazer quando isso acabar é trocar de cueca.

 Após destruir quase tudo, nosso herói (?) some misteriosamente.

Mas não por muito tempo, pois no dia seguinte deixa uma carta no carro do vilão desafiando-o para um racha. Agora é treta!

A gangue de ladrões de carro vai até o local combinado...


E lá vem o desafiante futurista e enigmático. Mas não será o lider o desafiado, e sim outro membro bucha de canhão de sua corja. 
Claro! Pois se for Packard ele vai morrer na metade do filme e isso não fará muito sentido. O herói do filme tem que matar todos os minions até chegar ao chefão final para aí sim dar fim nele quando a película estiver para acabar. São as regras da dramaturgia pop.


Antes do pega-pra-capar, o integrante nerd da turma de arruaceiros – que pelo cabelo deve ser parente do Beakman ou do Henry Spencer (do filme Eraserhead) – pede para nosso anti-herói mostrar o motor do carro para ele instalar um rádio em seu sistema elétrico (ou alguma merda do tipo. Não entendo de carros.) para não haver trapaças. Da parte dele, claro.

Quando o motor é mostrado...


OOOOOHH!!! Beakman fica impressionado com a potencia sobrenatural do motor e pede para Packard dar uma olhada, mas o mau-elemento não quer saber e diz para iniciarem logo a corrida.

O racha se inicia...


E o que você acha que acontece com um bucha de canhão em uma corrida mortal com um protagonista vingativo em um carro com super poderes? Exatamente. Então vou resumir em uma imagem.


É. Nem preciso dizer que o turbo interceptor se reconstituiu depois.

Em uma ocasião posterior, Charlie pega Sherilyn na saída do Big Kay’s e lhe dá carona até em casa, não sem antes enfrentar uma perseguição por parte de alguns capangas de Packard que tentaram matá-lo. Nada demais para um herói dos anos oitenta.


Claro que Charlie dá uns amassos na garota. Mas algo me diz que ambos estão sendo observados por alguém mau, muito mau...


Minha intuição masculina não falha nunca. Exceto uma vez em que... deixa pra lá.  Packard segue Charlie, que some purpurinamente junto com sua motocicleta. E logo em seguida alguém dá uma encochada forte na traseira do carro do vilão!


Que é forte o suficiente para lançá-lo até um cemitério providencialmente localizado. E caso você seja um autista e não tenha percebido, o carro que o bateu foi “aquele” mesmo.

No cemitério, Packard vê o sombrio motorista saindo de trás de um túmulo. Túmulo este com o nome do vilão escrito na lápide!!!


Ai, ai, ai, Packard. Quero ver você dar uma de machão agora e fingir que não está com medo. Eu pelo menos estaria gritando pela minha mãe e dando graças a Deus se estivesse com uma calça marrom no momento.

Que foi? Se você visse um sujeito com um macacão de rali do século 28 saindo de trás de um túmulo com seu nome no epitáfio, também estaria quebrando castanha com o cu.

Mas assim como todos os fantasmas e extraterrestres normais, a aparição só queria pregar um sustinho no vilão e logo desaparece sem deixar rastros. Danadinho...


Um outro dia qualquer (mais provavelmente o seguinte) Charlie, que não é bobo nem nada, leva Sherilyn para um banho no meio do nada. A garota começa a falar que gosta de estar ali com ele e que não conseguiu dormir direito a noite passada por causa de um sonho estranho.

Charlie se excita com as possibilidades molhadas desse sonho. Ainda bem que está com a parte de baixo do corpo pra dentro da água, pra não dar na vista suas reais intenções.

Mas Sherilyn diz que o sonho era sobre um cara que vive na lua e fica rindo dela (Cuma???) e depois começa a falar de seu falecido ex-namorado.


Huuummm... Não era exatamente o que você queria ouvir, não é Charlie?
Mas calma aí, garanhão. Porque...


Sim, eles chegam aos finalmente.

E sim, Sherilyn termina de abaixar seu maiô! E no filme vemos seu turbinado melão direito.

LAZARENTO DOS INFERNOS!!! SE VOCÊ NÃO TEM PROBLEMAS EM MOSTRAR NUDEZ EM SEU BLOG, POR QUÊ NÃO MOSTROU A CENA QUE MAIS QUERÍAMOS VER???? SEU PEDERASTA DOS DIABOS!!! PANACA DE MEIA TIGELA!!!BOBOCA!!! SEU... SEU...

Calma aí, camaradinha. Eu não mostrei porque quero que você ASSISTA ao filme! E seu objetivo é só vê-la nua, por acaso? Se for por isso, ela também aparece pelada nos flashbacks e eu sei de vários links de fotos da Sherilyn Fenn totalmente nua, mas não é por isso que vou postar essas coisas aqui. Corra atrás! Há! Bobão!

Continuando. O típico xerife-durão-de-cidade-americana-do-interior convoca os arruaceiros da cidade para uma conversinha na delegacia, e lhes avisa do perigo que estão correndo, pois o estranho visitante parece interessado apenas em matá-los.


Claro que, como o durão que é, ele não se intimida diante da maior corja da cidade e fica picotando papel enquanto fala.

E como prova ainda maior de sua macheza provinciana e norte-americana, ainda faz uma alusão aos membros da gangue sendo mortos usando o papel que cortou em forma de corpos decapitados!


Se esse cara não come ovos com bacon e panquecas no café da manhã, ninguém mais o faz!

No galpão dos vilões, Skank e Gutterboy - dois capachos de Packard que tem o QI de uma torta de limão - estão planejando sair pra transar à noite, já que estão na seca há quatro dias.


Olha, você moça que faz sexo com esses caras: Não sei se te dou parabéns chorando ou um peteleco na testa. 

Mas de repente, olha só quem aparece novamente pra fazer uma visitinha...


Mas parece que ele não está com o humor em dia hoje, pois...


E lá se vai o quartel general dos caras maus, com Skank e Gutterboy dentro.

O típico xerife-durão-de-cidade-americana-do-interior chega no local dos destroços e encontra Beakman, que agora é o ultimo sobrevivente da gangue junto com Packard e por isso acha que é o próximo da lista.


Beakman acha que o garoto do carro é Jamie Hankins, o namorado de Sherilyn e irmão de Billy que foi torturado e morto pela gangue, e que agora voltou para se vingar de todos. O típico xerife-durão-de-cidade-americana-do-interior diz a Beakman que está louco se acha que um fantasma voltou do tártaro para fazer justiça, mas o nerd insiste: - “Eu juro, senhor típico xerife-durão-de-cidade-americana-do-interior, que era Jamie! Eu vi seus olhos! Eu tive um mal pressentimento sobre isso tudo antes!”

Packard entra em desespero e vai até o Big Kay's seqüestrar Sherilyn e levá-la para um lugar bem distante onde o fantasma cibernético (tenho que ficar inventando um nome novo pro sujeito toda vez que o menciono! Aff! Ainda bem que isso tá acabando!) não possa matá-lo.


Billy tenta dar uma de herói, mas logicamente leva um cacete do vilão. Ser magrelo e raquítico e usar uma faixa na cabeça só funciona nos filmes do Katarê Kid. E olhe lá!
Packard então arrasta Sherilyn consigo e ela cai para o nível das típicas donzelas indefesas seqüestradas pelo vilão. Tsc tsc. É a Princesa Peach fazendo escola.


Quê? A calcinha dela é branca? Se você não tivesse me dito eu nunca perceberia. Seu sujinho!

Será que o malfeitor conseguirá levar nossa musa para um lugar distante e transformará sua vida num inferno eterno???

É hora para o herói da história agir! Mas será que ele conseguirá? Pois o típico xerife-durão-de-cidade-americana-do-interior botou todas as viaturas da cidade atrás dele. Droga!!


E agora, meu??? Conseguirá o homem de preto salvar o dia??? Quem é esse cara, afinal??? E por que ele arranca os olhos daqueles que mata??? O que o finado namorado de Sherilyn tem a ver com essa história toda??? E o que Charlie tem a ver com essa história toda??? Será que mais uma pessoa irá lhe perguntar se é novo na cidade e ele finalmente perderá a paciência??? Serão as peitcholas de Sherilyn avantajadas e belas o suficiente para valerem a assistida dos cuecas (spoiler: SIM!)????

Tudo isso e muito mais você descobrirá em...

THE WRAITH!!!!

NOTA: 7,8

A Aparição virou um pequeno cult dos anos oitenta, tendo todos os elementos que caracterizaram (e caricaturizaram) a dita década perdida. Se fosse para analisar seriamente o filme, com certeza o mesmo levaria uma nota bem mais baixa. Os diálogos são pobrinhos, as atuações são forçadas e cartunescas e a história é deveras previsível. É obvio que Charlie é o cara do carro sobrenatural, assim como é obvio que foi Packard quem matou o namorado de Sherilyn, embora os roteiristas pareçam querer manter essas coisas como surpresa até certo ponto do filme.
Mas quer saber? Nada disso tem importância! Esses defeitos primários só servem para deixar o filme mais legal, pois acrescenta humor involuntário à uma película que jamais deve ser levada à sério. Só houve dois defeitos que realmente achei relevantes: O primeiro é aquela falha que de vez em quando acontece, quando os roteiristas criam um herói poderoso demais e temos a lúcida sensação de que os vilões não têm sequer uma chance de vitória e o roteiro fica seguimentado demais. Isso conseqüentemente leva à segunda coisa que me incomodou: O confronto final entre o herói e o vilão no gran finale, que poderia ter um pouco mais de emoção ao invés ser uma mera xerox das outras cenas onde o vingador aniquila os membros menos importante da gangue.
Mas, por incrível que pareça, essas falhas se tornam pequenas ao longo do filme. As cenas de ação não são toscas, e sim muito bem elaboradas. A trilha sonora do filme é fantástica. Sério! Temos ótimas músicas tipicamente oitentistas tocando o filme inteiro, quase ininterruptamente, sem nunca se tornarem enjoativas e só enriquecendo a fita. Grande parte dos mistérios acabam nunca são respondidos, o que não é ruim. Isso torna a coisa mais enigmática e nos força a ficar conjecturando sobre o que poderia ser aquilo. O momento final - após o embate contra o vilão - é realmente comovente e satisfatório, mesmo que não faça muito (ou nenhum!) sentido.

Enfim, um dos filmes mais legais e divertidos daquela longínqua época que não volta mais. Altamente recomendável por mim. 

Então nos vemos semana que vem nesta mesma hora e neste mesmo canal!

sexta-feira, 18 de março de 2011

O Homem Que Ri (The Man Who Laughs – 1928)


Hoooray!! Como vai pessoal? Nesse tempo que fiquei sem postar uma tragédia horrível abalou o Japão, fomos presenteados com o ‘maravilhoso’ clipe da Rebecca Black e a Maria Bethânia ganhou (vai ganhar) 1,3 milhão pra fazer um blog. E eu aqui trouxão fazendo o meu de graça! Mas deixe estar, Bethânia. Deixe estar.

Também terminei de assistir a ultima temporada de Lost e Caverna do Dragão (esse último, no caso, re-assistir). Agora chega de gente que vai parar por acidente em mundos sobrenaturais e tentam voltar para casa! Vamos resenhar!

Em 1969 o escritor, poeta, dramaturgo, pintor e ativista dos direitos humanos Victor Hugo (autor de O Corcunda de Notre Dame, Os Miseráveis, etc.) lançou o livro O Homem Que Ri. Quase sessenta anos depois sua versão cinematográfica veio ao mundo. Acabou se tornando um filme bem popular em sua época, muito pela performance marcante de Conrad Veidt (que também interpretou Cesare, aquele sonâmbulo sombrio do espetacular O Gabinete do Dr. Caligari, de 1919) e também por concentrar uma dose certeira de aventura, drama,  belos cenários e uma estória envolvente. Algo que seria tido como ‘cinema pipoca’ hoje em dia caso houvesse uma adaptação atual e fiel à essência do filme. Então, sem mais delongas, vamos a ele!
Temos como cenário a Inglaterra do século dezessete, mais precisamente no castelo do rei James II, onde Barkilphedro, seu puxa-saco oficial, vai acordá-lo para lhe dar uma notícia muito importante.


Aliás, essa é uma maneira intima demais de acordar um rei, não acham? Sendo assim tomarei a liberdade de ser intimo também. Nada de James II! Chamá-lo-ei de Jaiminho.

Barkilphedro informa a Jaiminho que um prisioneiro fugitivo seu foi capturado. O tal fugitivo foi preso unicamente por ter se recusado a beijar a mão do rei. UAU!


Lord Clancharlie, o ex fugitivo, implora a Jaiminho informações sobre seu filho. Quer saber se está vivo e se está bem.

Como todo governante competente, nosso querido e diabólico rei não faz a menor idéia do que aconteceu com o filho do camarada aí, então pergunta para seu assessor Barkilphedro, que responde com um gesto.


Guarde bem a expressão de Barkilphedro. Ela parece idiota (e de fato é), mas é importante para a explicação.

O rei percebe pelo gesto de seu bajulador que o filho de Clancharlie se fudeu, sendo vendido para um cirurgião Comprachico e tendo sua boca cortada por este em forma de sorriso, o que lhe fará parecer estar rindo o tempo todo. Deveriam fazer a mesma coisa com o Keanu Reeves para lhe dar uma expressão um pouco diferente.


Não bastasse isso, Jaiminho manda o infeliz pai para a Iron Maiden - ou Dama de Ferro - para ser morto. Sabe, é aquele instrumento medieval tipo um sarcófago com espinhos dentro. Pobre Clancharlie...

“Six! Six, six! The number of the beeeast...”


Longe dali, dois cirurgiões Comprachicos com uma criança encapuzada até a medula estão tentando alcançar um barco, pois tal raça fora banida das Inglaterra.


Mas o Comprachico chefe do barco não quer levar o garoto consigo, portanto o deixam para trás para não terem mais problemas. Os Comprachicos, caso você queiram saber, são ciganos cirurgiões clandestinos vilanescos que deformam os rostos de criancinhas para suas experiências, transformando-as em aberrações. Se a Elza Soares já existia e era criança nessa época, então tá explicado.



E de perto percebemos que o menino abandonado tem o rosto em parte coberto. Das duas uma: Ou ele é mais feio que figurante do Chaves ou é filho do Michael Jackson. Chamá-lo-ei, portanto, de Blanket (um dos filhos de Michael) daqui pra frente até descobrirmos seu nome de RG.

 
Blanket é abandonado à própria sorte nessa terra de meu Deus, onde aparentemente se enforcava pessoas como se não houvesse amanhã. E olha que nem estão mais na Idade Média.

Em suas andanças moribundas pelo deserto frio e ventoso, nosso herói mirim encontra uma mãe com seu bebê no colo. A mãe morreu, mas a criança parece estar viva.


O garoto leva o bebê consigo.

Enquanto vaga aleatoriamente com o rebento, Blanket encontra uma casa no meio do nada. É o domicílio de Ursos – O filosofo.

A casa é protegida pelo cachorro de Ursos, cujo nome é Homo. O do meu será Hetero.


Ursos lhes dá abrigo. Blanket revela seu verdadeiro nome: Gwynplaine. Eu acho Blanket mais legal, mas a vida é dura.


O filósofo checa se o bebê está bem e nota que a criança é uma menina e que é cega! Ao perceber que Gwynplaine, que tirou o pano do rosto, está rindo...


Menino feio!

Bom, como eu dizia, ao perceber que Gwynplaine está rindo, Ursos lhe diz delicadamente para parar, pois é muito feio caçoar da deficiência dos outros. Mas o garoto continua com o sorriso no rosto.

PARA DE RIR, CURUMIM FILHO DA PUTA!!! TROMBADINHA FEIO E FEDORENTO DOS INFERNOS! COM ESSE CABELO DE BICHA, ESSES DENTES PODRES E ESSE SORRISO RIDÍCULO NA CARA! APOSTO QUE FOI ABANDONADO PELOS PAIS POR SER TÂO MONSTRUOSO!! TENHA MODOS E RESPEITO PELOS OUTROS!!!

Mas Ursos, em sua eterna gentileza, logo se redime ao perceber que o sorriso no rosto de Gwynplaine foi obra dos Comprachicos. Sempre esses caras, viu!

Ursos cria os dois como se fossem seus filhos. Anos depois, o filósofo tem um circo itinerante onde Gwynplaine – agora um palhaço - é a atração principal, sendo conhecido como “O Homem Que Ri”.

Botar seu filho adotivo deformado como sendo uma aberração de circo pra ganhar dinheiro em cima dele é uma prova de fraternidade do caralho. Mas não julguemos Ursos precipitadamente. Vai que o público paga bem...


E vendo os dois agora mais velhos, percebemos que Gwynplaine continua feio. Mas Dea, a menina cega, até que dá pro gasto.

Rola um feeling entre eles, mas o rapaz se afasta de Dea toda vez que esta fala em casamento. Ou seja, fora o fato de ter a deformidade na boca, Gwynplaine é um cara normal.


Nosso herói está prestes a dar um beijaço na donzela (não me perguntem como), quando de repente...


O publico chega antes do show e começa a rir da cara de Gwynplaine...


 Que chora em vergonha e humilhação.

Tá vendo o que você fez, Ursos? Pegar o cara que é como um filho pra você e exibi-lo ao povo fazendo-o passar por esse tipo de humilhação! Não sente remorso pelo que faz? Tratante!

Mas diz aí, Ursos. Você deve ganhar uma nota preta com esses shows, heim? Que inveja! Quem me dera também tivesse uma aberração dessas pra usar em benefício financeiro próprio, hehe.

Eu vou pro inferno.

Longe dali, Barkilphedro subiu na vida e ganhou status mesmo após a morte do cruel Jaiminho. Pelo menos é o que o filme diz, pois pra mim ele continua sendo um fofoqueiro que sofre chacota de todo o reino.



Enfim, Barkilphedro descobre que Gwynplaine (que é herdeiro da coroa) está vivo e conta tudo pra princesa. E olhando-a acima... Bom, eu sinto falta das princesas da Disney.

Arf! Conheçamos agora outra peça da corte: A condessa Josiana. É essa aí que só anda de toalha pelo reino.


E que prefere ficar na putaria com a plebe do que assistir os concertos chatos proporcionados a nobreza.
 


Talvez eu até preferisse também, mas já percebemos que essa condessa é meio xarope das idéias.

A moça toma conhecimento do espetáculo do tal homem que ri e se interessa em assisti-lo.


O show começa e, por algum motivo que a ciência e a magia jamais explicarão...
 

 
A condessa perde o fôlego quando vê Gwynplaine!

Eu mencionei que ela era MEIO xarope? Esqueçam! Essa mulher é completamente retardada!! Dêem-me o telefone e o endereço dela que amanhã mesmo ela estará dividindo uma cela acolchoada com Romam Polanski, Syd Barrett e Thammy Gretchen!

Tá certo que Dea também é afim dele, mas aí ela é cega e sua deficiência justifica.

Tá, tá. Eu sei. A beleza está no interior. Eu sou um cretino sexista e superficial que vai morrer sozinho e – mais uma vez – irei para o inferno.


 
Gwynplaine percebe que a condessa caiu de quatro por ele, mas de inicio não liga muito e continua seu show. Porém, depois não para de pensar na única mulher que não riu dele durante sua apresentação.

Nosso herói então recebe uma carta de Josiana dizendo que seu cocheiro irá pegá-lo a meia-noite. Ele pede a Homo que cuide da já enciumada Dea enquanto dá sua pulada de cerca.



Sério, esse cachorro ainda tá vivo! Ou é o cão do Hylander ou ele tomou aquela mesma água suja que o Richard do Lost tomou pra ficar imortal!

Dea descobre a escapada do bofe e fica toda tristonha, mas agora é tarde. O garanhão já se encontra no quarto real da condessa, que está performaticamente estirada em sua cama real, esperando-o.


Vai que é tua, Gwynplaine, meu filho! Cai dentro, papito!!!

Mas uma carta real chega para Josiana lhe informando que querem ver Gwynplaine, e que ela deverá se casar com ele, pois o mesmo é herdeiro legitimo das fortunas reais. A garota tem um ataque histérico então.


Essas cartas reais sempre chegam na hora H pra atrapalhar! Vou e contar, viu!

Nosso amigo sorridente sai do quarto e só resta a Josiana se consolar com o macaco real. O que aconteceu no quarto depois que ela abraça o primata não é mostrado a partir daí. E do jeito que essa condessa é louca, fico feliz que assim seja.

Gwynplaine volta pra casa, onde é aguardado por Ursos, Homo e principalmente Dea. Todos ficam felizes. Nada como o lar, é o que eu sempre digo.


Mas alegria de pobre dura pouco, pois uns caras barra pesada chegam ao circo e perguntam para o porteiro se o palhaço risonho está.


E olha como a boca do porteiro está oleosa! Ou ele andou comendo frango ou exagerou na manteiga de cacau.

Nosso protagonista é preso!


Provavelmente por gente do palácio que não quer que ele tenha sua herança de direito.

Ursos segue seu filho até a prisão onde o levaram, e um guarda lhe diz que quem é levado para lá nunca mais retorna.

Ursos insiste em esperar o retorno do rapaz na entrada da prisão por vários dias, até que...


Vê uns caras saindo de lá com um caixão. E pelo visto não basta ser um caixão para termos certeza de que quem está lá dentro está morto. Tem que ter o símbolo de uma caveira pra garantir!


Ursos crê que seu amado filho foi pro vinagre e volta cabisbaixo para seu lar. É questionado pelos outros palhaços sobre Gwynplaine, e tal como John Lennon, responde: “O show acabou!”.

E não venha me corrigir dizendo que Lennon falou “O SONHO acabou”! O blog é meu e o John Lennon diz o que eu quiser!

Ursos e os palhaços, então, têm um ataque de desespero e começam a gritar loucamente por Gwynplaine.


GWYNPLAINE! GWYNPLAINE! GWYNPLAINE! GWYNPLAINE!

Mas não são respondidos. Talvez porque o herói esteja realmente morto. Ou talvez porque esteja a quilômetros de distância. Ou talvez porque estejam em um filme mudo e o áudio ainda não havia sido inventado.

 
Ursos não teve coragem de contar à Dea da tragédia, mas a cega donzela entra em desespero, imaginando o que possa ter acontecido a seu amado. O amor é cego, heim Dea? Hehe..
 .
Ai, ai. Lá vou eu pro inferno pela terceira vez.

Mas desgraça pouca é bobagem. Barkilphedro – sempre ele - chega e diz a Ursos que, por razões de Estado, ele está banido para sempre da Inglaterra. Putz!


Enquanto Ursos e Dea são escoltados para as docas...


É anunciado na cidade que algo muito importante irá acontecer naquele reino onde só tem gente louca.


Mas o que será?? Será que nosso querido Gwynplaine realmente morreu??? E se viveu, passará o resto da vida dividindo um calabouço pouco higiênico com o homem da máscara de ferro? Ou casará com a condessa doida e reclamará sua herança?? Ou retornará para sua amada Dea, seu querido pai aproveitador e seu cachorro imortal??? Quer descobrir??
WATCH IT!!

NOTA: 9,0


Com um orçamento generoso da produtora Universal, o diretor alemão contratado Paul Leni fez uma obra impactante e divertida. Ainda não li o livro, portanto não posso fazer comparações entre a adaptação cinematográfica e sua contraparte escrita. Mas lendo a respeito do livro, descobri que seu final é beeeem diferente do da película. O filme tem humor e uma carga dramática muito intensa, que é quebrada pela longa e apressada seqüência final de ação, que se torna até maçante e destoa do resto da fita. Talvez o ideal fosse dar um final igualmente poético para o filme. Mas isso é pouco para desmerecer sua qualidade. Há cenários fabulosos, bem aproveitados e enfatizados pelos vários planos gerais de câmera utilizados. As atuações são impecáveis, especialmente a de Conrad Veidt, que nos comove com seu Gwynplaine melancólico e cheio de expressões de tristeza e angústia, mesmo com o estático sorriso no rosto (sustentado por uma prótese).
Falando em Gwynplaine, talvez os mais atentos tenham percebido pelas imagens que ele se parece muito com um famoso vilão da DC Comics...

 
Pois é. Certo dia Bill finger, quadrinista das antigas que trabalhava com Bob Kane, criador do Batman, assistiu ao filme resenhado aqui. Na época, Bob Kane estava tentando criar um novo vilão para as histórias do morcego. Finger lhe mostrou uma imagem de Conrad Veidt caracterizado como Gwynplaine. Daí surgiu a idéia do palhaço vilão. Coringa permaneceria apenas durante algumas edições da revista do Batman, mas os leitores gostaram tanto que deu no que deu.

E por hoje é só, dudes! Até semana que vem!!!

Absss